educação, mamães, maternidade, papo de mãe

A “nossa” adaptação na escola nova

Faz um tempinho que eu queria dar o retorno para vocês sobre a mudança de escola da Helena. Lembram que postei ano passado sobre a mudança de escola dela e dos meus sentimentos em relação a tudo isso?

É, e então foram quase seis meses na escola nova e tudo se encaixou…Fechamos o ano muito bem!

E demorei para escrever aqui, porquê no começo não tinha mesmo o que contar. Demorou. A adaptação demorou mesmoo! Confesso que foi bem mais difícil do que eu esperava. O porquê e as dicas para fazer melhor do que eu estão abaixo rs…  Bom mas vamos ao começo, para quem tá chegando agora rs…

No meio do ano passado, resolvemos (eu e meu marido) trocar a Helena de escola. Não foi por nenhuma insatisfação em relação à escola que ela estava (até porquê eu amava a escola), e sim por uma questão de prioridades: no atual momento buscávamos introduzir à Helena a língua inglesa, ou seja, colocá-lá em contato com o inglês.

E após algumas conversas, dúvidas, decidimos que seria melhor trocá-la de escola do que matricular em um curso externo ( estilo Red Ballon, Cel Lep, ou até mesmo fazer uma extensão na escola após o período normal etc…). Não estou dizendo aqui que isso é melhor a todas as crianças e famílias, mas sim que foi a decisão que mais atendia aos meus conceitos e prioridades no momento.
E chega até ser “irônico”, porque até pouco tempo antes, eu tinha certeza que a Helena não mudaria de escola tão cedo, cheguei até fazer também um outro post aqui, sobre o assunto, mas de repente as certezas que eu tinha já não eram mais tão certas PARA MIM. E senti uma necessidade de rever algumas idéias.
E então, voltei a escola que eu gostaria que Helena estudasse (eu já tinha visitado alguns anos antes) e também fui visitar uma segunda opção (que nunca tinha ido).Ambas seriam imersões no inglês pela manhã toda, uma americana, outra bilíngue. E aproveitei para levar a Helena, também, em ambas.


As visitas foram ótimas, conversei com Helena sobre a possibilidade de mudá-la de escola e ela ficou super animada. Confesso aqui que meu coração estava apertado, muito apertado. Eu sabia, no fundo, que não seria fácil, a mudança também doeu em mim, e aí que vem a maior dificuldade…
Helena então começou na escola nova. Ela nunca chorou para entrar, nenhuma vez. O retorno das professoras sempre foi positivo, ela passava a manhã super bem. Mas, todos os dias, na volta, saída da escola ela me questionava: “Mamãe porque eu mudei de escola? Eu não queria mudar de escola”. Eu quero voltar para a minha escola.
Ela estava bem na escola, relativamente bem diante do cenário: estava sentindo falta de seus amigos ( frases como “Mamãe eu não tenho amigos” me corroíam por dentro), ela estava estranhando o ambiente (tudo novo e diferente), ela estava estranhando a língua ( de repente, em um lugar novo, e com uma língua que ela não entende nada? É não foi fácil!!!). Mas a minha pequena não soltou uma lágrima.
Me lembro que certa noite ela acordou chorando: “Mamãe, mamãe: eu sonhei que estava em um buraco fundo e você e o papai não conseguiam me tirar” . E eu interpretei o sonho diretamente com a realidade: era exatamente assim que ela estava se sentindo. Meio sozinha, em um buraco, mas isso ia passar. A escola nova era mágica, acolhedora, eu precisava confiar no tempo.
E hoje eu só consigo escrever aqui, porque consegui evoluir muito neste processo. Eu me senti MUITO culpada pela mudança. E chorei muito, muuuito. Acho que tudo que a Helena NÃO chorou eu chorei por ela. E então a adaptação foi da filha e da mãe aqui que vos escreve. rs E a mãe precisa estar segura para enfrentar este momento!

E então, durante o primeiro mês, íamos conversando calmamente sobre a mudança. Todos os dias eu pergunto para ela como foi a escola, a aula e o dia, mas no primeiro mês percebi que Helena ficou durante um tempo com um olhar mais chateado, mais para baixo, solitário, confesso que deu muita vontade de voltar atrás.  E quando isso mudou? Quando EU acreditei na minha escolha, quando eu acreditei e confiei que fiz o melhor.
Sim, após alguns dias, e quase 1 mês chorando, e com uma culpa do tamanho do mundo eu resolvi assumir para a minha filha a escolha, sem papas e claramente: “Filha, a mamãe mudou você de escola, porquê ela acredita que isso é o melhor para você. Mamãe e papai decidiram juntos.” E tudo foi acalmando….Se me perguntarem porquê a adaptação foi tão difícil? Porquê eu não assumi minha posição tão cedo.
As crianças precisam de segurança, e eu sofri demais com a minha pequena. Sofri por ela, e com ela. A culpa que eu carregava ela sentia e explorava. E quando ela descobriu este ponto fraco, ela tentou de todas as maneiras voltar ao ambiente que lhe era mais seguro. Natural né? Quando entramos em uma escola nova temos o período de aprendizagem, de “nos sentir” no ambiente, então vejo que os sentimentos que ela estava vivendo eram mais que naturais, e a mamãe aqui que deveria lhe passar uma segurança, foi a criança da situação: eu chorei, ela não.
E então, quando após um dia inteiro (não estou mentindo) de lágrimas e culpa, que eu cheguei ao fundo do poço, eu resolvi levantar a cabeça e dizer: este é o MELHOR lugar para você minha filha, confie na mamãe e no papai. Eles certamente fazem as melhores escolhas. E esta foi a nossa escolha e você vai ficar bem. Eu precisava desta posição, precisava me colocar como MÃE na situação.
E então Helena começou um novo ciclo!
Aos poucos foi fazendo novas amizades, se redescobrindo, aprendendo a lidar com a nova situação. Trazia informações novas da escola a cada dia, contava sobre o dia, e voltava falando (pelo menos tentando) falar a nova língua. Fez novas amizades. Passou por dias difíceis sim, acho que amadureceu pra caramba até. Mas se a gente, que é adulto, em um ambiente novo sente frio na barriga, como por exemplo no primeiro dia do trabalho novo, imagina uma criança? Faz parte de nosso desenvolvimento, da vida.
Hoje Helena está MUUUUITO feliz na escola nova. Ela chega a fazer a apresentação da sala para as crianças novas que visitam a escola! Tem adaptação melhor? n Isso é um comportamento claro de que ela está bem no ambiente! Fico mega feliz! Nas férias ela sentiu muitaaa falta da escola, e sinto que o esforço valeu a pena! Acredito que se eu tivesse lido algumas dicas, o processo teria sido melhor rs (por isso até vou colocá-las abaixo!) mas ficou mais um aprendizado! Suado, mas aprendido rs!
Hoje Helena assiste filmes em inglês, cantarola algumas músicas, e se sente super a vontade com a língua
E o mais importante:  é ver que ela continua sendo uma criança feliz! Tem o dobro de amigos! Venceu uma etapa!
E se me arrependo da troca? De jeito nenhum!!! Estou muito feliz com a escolha da escola nova.
E descobri mais um segredo: não existe escola perfeita, para nós mães. (Para as crianças sim rs!)
Para ajudar algumas mamães que vão passar uma adaptação de troca de escola, ou início, vale ler as dicas abaixo:
1) Mãe: controle seus sentimentos e passe segurança! (eu TINHA que ter lido isso antes rs!)
Apesar de pequenas, as crianças sentem muito mais do que falamos. Nosso olhar vale muito mais que as palavras.
“A criança que percebe o sofrimento e a insegurança da mãe vai ter dificuldade para se separar e se adaptar ao novo ambiente, além de sentir medo do abandono e insegurança. Afinal, por que ela está chorando se vem me buscar daqui a pouco?”
2-)Confie no tempo e na escola
Confie na escola que você escolheu: eles têm experiência em adaptações. E cada escola trabalha de maneira diferente. Na primeira vez que Helena entrou na escola, apesar de ela nunca ter chorado também, eu fiquei ali durante mais de 7 dias, sempre perto. Uma adaptação gradativa, onde o tempo de permanência da criança na escola vai aumentando até chegar no período desejado.
Nesta segunda adaptação eu fiquei 1 dia só. A escola era menor, e a forma que eles trabalhavam diferente. E Helena estava bem. Confie na sua escolha. (sempre!)
3-)Ocupe-se após a adaptação!
Dedicar-se ao trabalho ajuda a ocupar a cabeça e dá menos espaço para fantasias. ( e ficar sofrendo porque o filho não tá em casa rs!). Para as mamães que não trabalham fora, vale arrumar algo prazeroso para fazer nas horas que o filho estiver na creche ou escola. Pode ser uma academia, um curso ou até trabalho voluntário. Outra forma de controlar a ansiedade é revezar com o pai a carona pra escola.
2) Conversar sobre a mudança, sobre a escola nova – Ou sobre a nova etapa que vai começar
“Se a criança já tem idade para entender, converse bastante sobre a escola antes de fazer sua matricula, sempre falando sobre o lado positivo e contando como primos ou irmãos mais velhos se divertem lá.”
3) Faça uma visita com a criança, antes de levá-la ao primeiro dia de aula.
Depois de escolhido o lugar, leve seu filho para conhecê-lo. Assim ele já vai criando um vínculo com o espaço e as pessoas.
4) Converse sobre os novos amigos
A mãe deve falar das vantagens de estar com novas crianças e fazer novos amigos, interessar-se pelo dia na escola e elogiar como o filho está crescendo e aprendendo coisas novas, legais e importantes.
5) Leve seu filho para compra do uniforme ou material escolar!
A participação do filho na compra dos objetos que serão usados na escola é muito boa, pois ele se sentirá importante e também ficará mais envolvido com a novidade da escola!
6) Preste atenção no choro do seu filho!
O choro na hora da separação é muito comum e não significa, necessariamente, que a criança não queira ficar na escola. Da mesma forma, a ausência de lágrimas não quer dizer que ela não esteja sentindo a separação. A criança deve ser levada “caminhando” e ser entregue à professora, pois é sempre mais difícil sair do colo de alguém conhecido. Tente confortá-la e reforçe que a escola é um lugar agradável e as professoras serão amigas e muito carinhosas.
7) Jamais ofereça recompensas!
A criança deve encarar a ida à escola como um fato natural de sua vida.
8) Transmita a confiança da nova rotina!
Explique-lhe sempre, adiante o que virá: dizer quem irá levá-la, contar quem irá buscá-la, antecipar os passos a serem feitos, pode dar lhe maior segurança. Isso dará a criança uma confiança, e menores surpresas. Surpresas neste período pode deixá-lo apreensivo.
A rotina dá a criança uma importante sensação de segurança, o que faz com que mudanças possam ser bastante estressantes para elas. Por isso, qualquer mudança que impacte direta e indiretamente o pequeno (como o nascimento de um irmão, a separação dos pais, contratação de nova babá, mudança de casa, etc) devem ser evitadas durante o período de adaptação.
9) Envolva-o e se envolva neste momento
Conversa, muita boa conversa entre mãe e filho! Ele sentir que você está envolvido em seus projetos e atividades na escola, fará com que ele se sinta mais acolhido.
10) Confie em sua escolha!
A criança precisa sentir esta confiança na mamãe! Acredite que você escolheu o melhor, afinal você não fez nada de um dia para o outro né? Acredite em você.
11-) Dê tempo ao tempo…
Como vocês leram a adaptação que eu tive com a Helena, espere, aguarde, respire. Converse, desabafe. Eu pensei diversas vezes em desistir durante estes meses mais difíceis. (Posso dizer que a adaptação durou uns 3 meses), e ao final do 3o mês eu e meu marido demos um “Deadline”: se ela não estiver bem, vamos voltar atrás.
Sim, nem sempre as escolhas são acertadas de primeira, mas respire e espere. Se for preciso mudar, mude. Mas faça tudo com calma. A adaptação não vai ser fácil em nenhuma mudança.
Espero que este “bate papo” ajude muitas mamães, e que todas tenham a calma que o momento exige. Dá uma dor enorme no nosso coração nos separar de nossos pequenos, mas lembrar que a escola lhe fará muito bem, afinal não tem nada melhor do que ter amigos, brincar e se divertir, fará seu coração ficar mais calmo. A separação é algo inerente, um dia ela virá. Mas lembre-se que haverá um retorno feliz ao final do dia.
Beijão
Aninha
Fonte: www.pediatriaemfoco.com.br

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